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repórter colaborador da Folha de São Paulo, passou pelo Estadão, UOL e Editora Globo. Escreveu para a Carta Capital e editora Trip. Foi curador do Atelier Amarelo. Estudou e viveu um ano e meio em Londres. É formado pela Unesp

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Segunda-feira , 17 de Maio de 2010
O marketing diplomático pessoal de Lula

O Irã aceitou, hoje, "terceirizar" o enriquecimento do seu urânio. O acordo foi costurado pelo presidente Lula, com o apoio de seu colega turco, o premiê Recep Tayyip Erdogan. Ainda é cedo para jogar muito confete nessa história. Para por fim à crise entre a República Islâmica e o Ocidente é preciso agora convencer americanos, franceses e britânicos de que o líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad diz a verdade - o jogo apenas passou de fase. Mas quem já saiu ganhando é.... Lula.

Nunca antes na história desse país um presidente ganhou tamanha projeção internacional. A poucos meses de deixar o cargo, Lula não precisa se preocupar em ficar desempregado nos próximos anos. A questão agora é o que o ex-líder sindicalista fará. Secretário-geral da ONU? Presidente do Banco Mundial? Secretário-geral da Unasul?

O balcão de apostas já está aberto. Eu particularmente (baseado apenas na minha intuição, em nenhum fato concreto) acredito que Lula será secretário-geral da FAO (Food and Agriculture Organization of United Nations). O cargo é ocupado desde 1994 pelo senegalês Jacques Diouf, cujo terceiro mandato acaba em 2012. O trabalho da agência da ONU é justamente a segurança alimentar, assunto no qual Lula tem experiência (Fome Zero, Bolsa Família, etc...).

Há quem defenda Lula como secretário-geral da ONU. O premiê português José Sócrates já fez defesa aberta. O presidente francês Nicolas Sarkozy trabalharia nos bastidores. Mas é pouco provável que Lula chegue lá. Sua aproximação com o Irã deve fazer os EUA porem um freio nessa ambição - já sua defesa das Malvinas argentinas fez Lula perder pontos com o Reino Unido (os dois países são membros do Conselho de Segurança). E Lula fala demais... e o secretário-geral é alguém que fala de menos.

Durante as negociações do G20, logo após o estouro da crise internacional, Barack Obama teria cogitado a indicação de Lula à presidência do Banco Mundial. A instituição fundada no pós-Guerra sempre foi presidida por americanos. A presença de um "estrangeiro" simbolizaria uma abertura do banco, que agora precisa do dinheiro dos emergentes... Mas isso era quando Obama ainda achava Lula "o cara".

Eu ainda aposto que Lula irá para a FAO, que atua sobretudo na África, continente onde o presidente é pop star entre regimes democráticos, pseudo-democráticos e despóticos em geral. E o próprio Lula já deu indicações de quer trabalhar para os africanos. Jacques Diouf que se cuide... A indicação de Lula serviria, inclusive, para dar mais brilho e relevância à FAO, que é bem apagadinha.

E o passe do presidente pode se valorizar ainda mais se o acordo nuclear do Irã for acolhido pela AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) e  impedir as sanções que os EUA querem impor a Teerã. Se ele conseguir esse feito, é forte candidato ganhar o prêmio Nobel da Paz (apesar da grotesca gafe em relação aos presos políticos cubanos).

Com Lula lá, crescem minhas preocupações aqui com FHC. O velho tucano corre o risco de cortar os pulsos.

(E eu nem falei da Dilma, que saiu na frente de Serra na pesquisa do Vox Populi no último sábado - 38% a 35%)

Por: Maurício Moraes
Quarta-feira , 27 de Janeiro de 2010
Chávez: o general em seu labirinto

Gabriel Gárcia Márquez, tão conhecedor do Latin American way of life, relata no livro "O General em seu labirinto" os últimos e nada gloriosos dias de Simón Bolívar, que fez a independência de meia América hispânica, virando o mito libertador do continente. Chávez que o diga: Bolívar é figura central na retórica burlesca deste outro general venezuelano que, igual a seu mestre, vive dias de inferno astral, com seu vice renunciando, ministros em disparada, inflação galopante, protestos estudantis, etc, etc...

No livro, Garcia Márquez mostra a derradeira viagem do "libertador", que havia fundado a Grã-Colômbia (formada nos anos 1800 também pelo atual Equador e Venezuela) para depois ver seu projeto se esfacelar e ele ser praticamente expulso do país que havia criado, sendo traído, inclusive, por alguns de seus mais fieis colaboradores.

Soa até heresia comparar Chávez a Bolívar, mas pode-se dizer que o presidente venezuelano também vive o seu labirinto. A República Bolivariana da Venezuela, que Chávez instaurou, começa a exibir suas primeiras trincas. Ainda é cedo para se falar que o regime chavista vá se esfacelar, mas viverá Chávez "O Outono do Patriarca", ou será esta "A Crônica de Uma Morte Anunciada"? (grande Garcia Márquez!!)

Ficção à parte, a realidade é que Chávez entrou num rolo sem fim. Beneficiado pelos altos preços do petróleo, o venezuelano criou uma ampla rede de programas sociais (legítima para uma sociedade empobrecida, relegada por uma elite que historica e vergonhasamente sugou todos os recursos do Estado), fez bondades pela vizinhança distribuindo dinheiro à Bolívia e à Nicarágua, editou, retalhou e fez o que quis com sua nova Constituição, criou, enfim, um monstrengo institucional chamado República Bolivariana quase ao estilo Luis 14 - "El Estado soy yo".

Com o preço do barril recuando de US$ 148 para cerca de US$ 80 por conta da crise mundial (em fevereiro de 2009 foi a US$ 34), a Chávez só resta rezar para que o petróleo volte às alturas - coisa pouco provável. Como o caudilho venezuelano praticamente deu todas as regras do jogo na sua República Bolivariana, sufocou a oposição, fechou canais de TV e rádio e fez outras estripulias nada democráticas, Chavez ainda deve ter sobrevida. Também porque a elite venezuelana não é menor pior que ele para boa parte da população - ruim com Chávez, pior sem...

Passado o tempo das vacas gordas, caso não seja derrubado em mais um golpe estúpido desses que rondam nossa história, o que se espera é um caudilho folclórico se perpetuando no poder, entretendo a plateia com seus discursos intermináveis, miticando a si mesmo ao resgatar o arquétipo mais bizarro da política latino-americana... Ele pode virar um Muammar Kadaffi dos trópicos... A ver.

Ainda para lembrar de Garcia Marquez, deixou aqui a primeira frase de Bolívar em "O General em seu labirinto", falando a um fiel escudeiro antes de partir em retirada de Bogotá:

"- Vamos. Rápido, que aqui ninguém gosta da gente".

Por: Maurício Moraes
Quinta-feira , 14 de Janeiro de 2010
O Haiti em si é uma tragédia, de longa data

A desgraceira que tomou conta do Haiti após o terremoto que sacudiu o país e matou milhares de pessoas rende imagens de horror aos montes. Crianças machucadas, mulheres desesperadas. O terror aparece estampado em muitas faces.

Talvez pelo fato de o sofrimento humano já ter sido banalizado nas explosões cotidianas no Afeganistão ou na guerra nossa de cada dia nos morros brasileiros, a imagem que mais me impressionou nessa tragédia é a que segue abaixo:

A imagem mostra o antes e o depois do Palácio Presidencial do Haiti, que também sucumbiu ao tremor de terça-feira (12). A imagem é chocante por sua carga simbólica. As ruínas escancaram a triste realidade haitiana, que ajudou a produzir os rostos aterrorizados - o Haiti é um país sem governo. Mais que isso, é um país igovernável.

A bela mansão em estilo neoclássico era certamente uma das construções mais bonitas de Porto Príncipe. Dentro da minha especulação, seria ainda uma espécie de marco civilizatório numa ilha caribenha colonizada por escravos africanos cuja sociedade carrega todos os efeitos colaterais de um colonialismo nojento que moldou fronteiras e costumes na América. Coisa do passado, já superada e registrada na história do continente, mesmo para as subdesenvolvidas sociedades latino-americanas. Coisa que para o Haiti ainda parece fazer parte do presente.

Com o palácio parece ter ruído o mínimo da institucionalidade que o país conseguiu acumular, sobretudo nos últimos anos, com apoio da ONU. É incrível pensar na história desta nação que foi a segunda a se tornar independente nas Américas, com uma revolução a princípio gloriosa, liderada por ex-escravos, um dos quais se tornou depois imperador. Ai a história entortou e todo o resto é uma sucessão de tragédias políticas e humanas, abaladas volta e meia por furacões e terremotos que fazem senão desnudar a triste realidade do povo haitiano.

Não vou me delongar em fatos históricos, mas alguns episódios da trajetória do Haiti auto-explicam minhas divagações aqui.

Se eu fosse religioso certamente pensaria na razão pela qual uma entidade divina permitiria tanta desgraça a um só povo. Eles seriam amaldiçoados? Isso é coisa do vodu que praticam nas ruas de Porto Príncipe? Infelizmente, o Haiti me parece ser aquele problema sem solução, que agoniza e cujo destino não parece ser muito promissor. Em alguns dias os mortos estarão enterrados, a imprensa terá uma tragédia mais sensacional para cobrir. Todos vamos esquecer o Haiti... mas e daí, quem se lembra?

Por: Maurício Moraes
Segunda-feira , 28 de Dezembro de 2009
2010 será um ano de convulsão social?

O tsunami da crise econômica pode ter passado, mas o rescaldo ficou e pode agora se transformar em crise social. Segundo as "previsões" da Economist, o oráculo dos políticos e homens de negócio, 2010 promete ser um ano de convulsão social em muitos países, já que o desemprego continua crescente em várias partes do mundo. Mas no Brasil... ao que parece a onda-marolinha não deve causar confusão.

Veja o mapa elaborado pela revista britânica.

Interessante é que na América do Sul, apenas Brasil e Uruguai parecem ter um 2010 tranquilo segundo as previsões da Economist. Todos os outros países devem enfrentar problemas. Na Europa, metade do continente pode ser sacudido por manifestações e outros problemas de agitação social.

Interessante também que o Brasil é o único BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) que promete ter um ano de calmaria. Será que é apenas a situação confortável da economia ou é o animus cordato do brasileiro (o "homem cordial")?

Por: Maurício Moraes
Quinta-feira , 17 de Dezembro de 2009
Então é Natal... E agora José?

Senhoras e senhores,

Estou meio sumido, tragado pelos afazeres de fim de ano. E nos próximos dias, sumido oficialmente, para uns poucos, parcos e poderosos dias de folga.

Até a volta, deixo aqui a "publicidade" (se é que assim se pode classificar) de uma paróquia anglicana na Nova Zelândia. É sobre José, coitado, que teve de bancar o casto enquanto o homem poderoso lá de cima tomou posse ad æternum de sua esposa, Maria, e ainda teve com ela um filho, Jesus... A José, o "padrasto da salvação", todos os vivas neste natal!!

"Pobre José. Deus foi algo difícil de seguir", diz o outdoor da paróquia St. Mathew-in-the-city, em Auckland.

Claro que a peça causou polêmica, houve quem fosse lá e pichasse, a Igreja Católica chiou... como mostra nota do Guardian.

O vigário anglicano Glynn Cardy explicou sua intenção:

- Tentamos fazer com que as pessoas pensem mais sobre o que significa o Natal. Trata-se de um Deus espiritual homem mandando esperma para uma criança nascer ou é sobre o poder do amor em nosso meio personificado em Jesus?

Bem... quase a ponto de me converter anglicano, Feliz Natal!! Amor, Paz, Sucesso, Felicidade, tudo de bom! Ao José, também desejo paciência...

Por: Maurício Moraes
Terça-feira , 08 de Dezembro de 2009
No país do mensalão, ganha Lula (e Dilma)
Nunca antes na história deste país houve presidente mais sortudo que Lula. Depois do mensalão do PT, o mensalão tucano e agora o mensalão do DEM. O jogo está empatado. E o Planalto não poderia ter melhor presente de fim de ano do que a cabeça do governador José Roberto Arruda, do Distrito Federal. As cenas da dinheirama nas meias deixam a ministra da Casa Civil cada vez mais próxima da Presidência.
 
Com a queda de Arruda (que ainda cambaleia.. mas é questão de tempo), cai também o principal sustentáculo da oposição, mais precisamente do DEM, que é o discurso anti-PT do mensalão. Quanta ironia!
 
É que o DEM, o antigo PFL, a Arena dos tempos militares, a velha cafetina da política brasileira resolveu vestir um xale respeitoso com a posse do esquerdista Lula. A jogada político-publicitária estava dando certo. Trocaram de nome (viraram democratas!), mudaram a liderança do dinossauro Jorge Bornhausen pela do garotão Rodrigo Maia...
 
Aqui pelos Jardins, já havia até quem celebrasse a ascensão da "nova direita brasileira"... com as cenas da roubalheira, o xale da velha senhora democrata caiu por terra e velha cafetina do PFL voltou à tona. Problema para a oposição....
 
Nos sete anos de governo Lula o DEM vestiu a camisa da oposição. Já o PSDB ficou dividido entre seus caciques, cuidando de seu próprio mensalão (o valerioduto mineiro), batendo a cabeça... Com as eleições batendo às portas e os tucanos ainda sem decidir se vão de José Serra ou Aécio Neves, a única coisa consistente entre os opositores era justamente o discurso anti-PT mensalão do DEM, que a todo tempo revolvia o episódio do dinheiro na cueca petista... Com o dinheiro na meia do DF, o jogo mudou.
 
Resta saber qual será o discurso da chapa PSDB-DEM. O discurso anti-PT mensalão furou... Falar que o PT não sabe governar o país com o atual contexto de bonança não vai convencer muita gente. Vão apelar para o passado guerrilheiro de Dilma? Aí o próprio PSDB trairia seu passado... A coisa tá feia na oposição. Já no Planalto...
Por: Maurício Moraes
Sexta-feira , 27 de Novembro de 2009
Santa Piedad Córdoda com Bolívar nos braços
A "virgem Maria" aí do lado vem da Colômbia. Chama-se "Santa Piedad". No colo não está Jesus, como na Pietá, de Michelângelo, na qual a imagem se inspirou. O cara deitado ali é Simon Bolivar, o herói da independência dos colombianos e dos... venezuelanos. (a ver que o projeto maior de Hugo Chávez é o bolivarianismo). A santa em questão é Piedad Córdoba, a polêmica senadora colombiana que negocia a paz com as Farc e tem ligações com o chavismo. E a imagem, pasmem!, é o novo papel de parede de seu site oficial.
 
Piedad, para apresentações, é uma das vozes mais estridentes contra a política irredutível de Álvaro Uribe, de não negociar com a guerrilha a libertação de centenas de reféns. A repressão dura do governo tem enfraquecido as Farc, mas muitas pessoas continuam na floresta - são centenas de dramas. Piedad tem apoio justamente desta parcela da população, castigada há muito tempo com a agressividade da guerrilha.
 
A estreita amizade de Piedad com Chávez, que volta e meia fala de guerra com a Colômbia e não perde oportunidade para xingar Uribe, faz a senadora ser odiada por outra parte dos colombianos. Apesar de todos seus méritos de negociadora (negociou a libertação de Clara Rojas e Ingrid Bettancourt), posar de santa soa um pouco cômico, tragicômico, como quase tudo na América Latina.
 
"Santa Piedad" é coisa de livro de Gabriel García Marquez, onde as coisas mais cotidianamente malucas acontecem. Na Colômbia onde borboletas amarelas invadam uma cidade e até uma santa política pode aparecer. No Realismo Fantástico atual, a Colômbia negocia sete bases com os colombianos, tem um vizinho falando de guerra, tem um presidente que acabou de dar um golpezinho institucional para se perpetuar no poder e temos Piedad...
 
E o design...?? bem... fica aqui o layout (e os seus comentários). E estas luzes de balada...? aff
Por: Maurício Moraes
Quinta-feira , 26 de Novembro de 2009
Depois dos Brics, as Civetas

Civeta é um mamífero corredor, um bicho espertinho lá da Ásia. Nossa gloriosa Wikipedia traz mais detalhes sobre o animal, uma espécie de viverrídeo. Mas as Civetas que podemos ouvir falar em breve são outras. Depois do banco Goldman Sachs criar o termo BRIC (Brasil, Rússia, India and China), a Economist diz que há em algum forno por aí a CIVETA, para designar economias ligeirinhas, emergentes e com poder econômico, no caso Colômbia, Indonésia, Vietnã, Egito, Turquia e África do Sul.

Trata-se ainda de uma "premonição", do avatar dos economistas do mundo. Mas em tempos de gripe suína, crise econômica, mesmo que você seja um Bric, uma Civeta, um G20 ou um G8, corre o risco de pegar uma VUCA. Quer dizer, essa economia sofre de volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade. Ufa...

Mas como tudo que é sólido se desmancha no ar, o BRIC (tijolo, em inglês) pode virar BICI - é que a Rússia, toda esculhambada pela crise, pode repetir de ano e dar o lugar à ligeirinha Indonésia (o economista Jim O'Neill, pais dos Brics, negou isso mês passado em SP...). Mesmo assim, fica uma pergunta: um BICI também pode ser uma CIVETA?

 

Por Joseph Smit

Por: Maurício Moraes
Segunda-feira , 16 de Novembro de 2009
Vaidade é marca registrada de Cristina Kirchner

Para o R7

Durante sua campanha à Presidência em 2007, uma das principais promessas de Cristina Kirchner era fazer a Argentina voltar a ter destaque no mundo.  O país tinha ficado isolado pela crise de 2001 e pelo calote dado por seu marido e antecessor, Néstor Kirchner.

No entanto, nestes dois anos de governo quem ganhou destaque foi a própria Cristina e em grande parte graças a seu guarda-roupa, repleto de vestidos brilhantes, coloridos, com babados, que ficam a distância dos terninhos convencionais e em tons pasteis de outras mulheres poderosas na política, como a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, ou a presidente do Chile, Michelle Bachelet.

Em sua última viagem, ao Chile, Cristina usou três vestimentas diferentes ao longo de um só dia, um para cada compromisso. A presidente tem horror a repetir roupas e detesta ser fotografada sem maquiagem.

Tanta preocupação com a aparência e a roupa fizeram Cristina ser a estrela do blog argentino Te lo juro por Louis Vuitton, da jornalista Miranda Dress. Num dos posts ela comenta:

- Cristina não perde o costume de fazer várias trocas de roupas por dia [em eventos internacionais] como se fosse uma estrela do cinema. Outras mulheres nas altas esferas como Michelle Bachelet, Angela Merkel ou Hillary Clinton passam o dia com o mesmo vestuário, ainda que se troquem, é claro, para as recepções noturnas.



Pintada como uma porta

A vaidade de Cristina virou folclore e até piada na Argentina. E a fama da presidente ultrapassou fronteiras: em março deste ano o jornal britânico The Guardian a colocou na lista do “Bling Bling”, com os dez mais chefes de Estado mais na moda e bem produzidos do mundo. 

Ao falar sobre Cristina, o jornal publicou que apesar de ser “conhecida como a ‘rainha do botox’, ela nega ter feito cirurgias plásticas, mas admite pintar-se como se fosse uma porta”.

Para o editor de moda Jorge Wakabara, do portal de Lilian Pacce, mulheres na política acabam sofrendo muita pressão pela forma como se vestem:

- As pessoas pegam muito no pé. Só porque é presidente não pode usar salto alto? Tem de ficar toda masculinizada como a Angela Merkel? Tem gente que gosta de gastar seu tempo fazendo palavra-cruzada, já outros preferem ir para o cabeleireiro.

Wakabara diz que a forma de se vestir “definitivamente tem implicações políticas. As pessoas acham que estar bem arrumada passa uma impressão de futilidade”.

Cargos formais pedem estilos formais

São poucos os presidentes (homens e mulheres) que conseguem imprimir um estilo pessoal na forma de se vestir num universo extremamente formal como a política.

Aos homens, com seus ternos básicos, não resta muito senão ousar nas gravatas. Já para as mulheres a tarefa é mais difícil, afirma Milene Chaves, a editora de moda do portal Chic:

- A Cristina é bastante colorida e geralmente presidentes e primeiras-damas são muito caretas. Pelo cargo que ocupam, eles precisam estar um tom acima no que diz respeito à formalidade.

Milene lembra que primeiras-damas podem ousar um pouco mais. Mas no caso da presidente, “qualquer escorregão vira notícia”.

Em um encontro internacional, brilho demais pode ofuscar o assunto discutido e até causar embaraço à outra autoridade, menos vaidosa.

No caso das mulheres, talvez por uma herança machista, a forma de se vestir é lembrada rapidamente quando se trata de fazer críticas políticas. Os inimigos de Cristina adoram mostrá-la como uma mulher fútil que só pensa na aparência e nos seus vestidos. Do outro lado da fronteira, na República Argentina, a presidente é chamada por muitos de “Rainha Cristina”, só que sem nenhuma reverência.

Por: Maurício Moraes
Terça-feira , 10 de Novembro de 2009
Brasil ganha terreno na diplomacia do Oriente Médio

O Brasil pode estar "ganhando terreno" na diplomacia do Oriente Médio, segundo artigo do jornal Haaretz, o principal de Israel. No mesmo mês em que Brasília recebe a visita do presidente Shimon Peres, pode chegar à capital na próxima semana o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e em 13 dias será a vez do polêmico líder do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

Segundo o jornal, "durante os sete anos em que ficou no poder, Lula armou um grande leque de relações ao redor do mundo - dos irmãos Castro em Cuba ao ex-presidnete americano George W. Bush até Ahmadinejad - e os analistas dizem que ele está se tornando um jogador importante nos esforços diplomáticos de Israel".

O jornal ouve o analista Ray Walser, do Heritage Foundation em Washington, dizendo que "esta é talvez a chance do Brasil exercer um papel no processo de paz do Oriente Médio e demonstrar grande lucidez e envolvimento numa das questões mais críticas para a paz mundial".

O Haaretz lembra que o Brasil se tornou uma potência econômica nos últimos anos e o porta-voz dos países pobres no G20, além de ser uma liderança moderada da esquerda latino-americana.

Segundo o artigo, Ahmadinejad e o Irã ganham credibilidade visitando o Brasil, que é o que Israel tenta evitar. A reportagem cita as crescentes relações do governo de Teerã com a Bolívia de Evo Morales e a Venezuela de Hugo Chávez.

Manter uma boa relação com o Brasil, pelo visto, é algum peso no instável equilíbrio diplomático que Israel tenta administrar. Será?

Por: Maurício Moraes
Segunda-feira , 09 de Novembro de 2009
O cearense e comunista Karleno Márciou foi estudar na Alemanha Oriental e viu o Muro de Berlim ruir

O nome "Karleno" é uma homenagem adaptada ao filósofo Karl Marx

Para o R7

O nome Karleno Márcio Bocarro foi uma "adaptação" que o pai deste cearense de 44 anos fez para homenagear seu ídolo - o filósofo alemão Karl Marx, que deu a linha para o comunismo e um dia disse que "tudo que é sólido se desmancha no ar". O pai de Karleno era do Partido Comunista em tempos que ser do "partidão" dava até cadeia no Brasil. O mundo da época pendia ou para os Estados Unidos (capitalista) ou para a União Soviética (socialista) e a fronteira era o Muro de Berlim, que dividia a Alemanha, a sua cidade capital e o mundo em duas partes.

Com 24 anos, seis deles vividos na pequena Brejo, no interior do Maranhão, Karleno inventou de estudar na Alemanha oriental comunista e de tanto tentar conseguiu uma bolsa de mestrado. Foi estudar primeiro em Leipzig, uma cidade industrial cinzenta onde desembarcou em agosto de 1989.

 

Naqueles dias, grupos de oração da Igreja Protestante começaram a ir para as ruas da cidade pedir mais abertura ao regime comunista, que os proibia de viajar e os isolava do mundo ocidental. O movimento se alastrou e chegou à Berlim, segundo os rumores que Karleno ouvia - a imprensa do regime de ferro censurava a informação. Karleno nunca poderia imaginar que dali a 11 semanas a sólida fronteira de concreto que dividia o mundo e as famílias alemãs fosse cair, se desmanchar no ar.

Em 9 de novembro de 2009, um funcionário do governo da Alemanha oriental deu uma informação equivocada numa entrevista com jornalistas. Ao anunciar que o regime comunista iria abrir as fronteiras para que os alemães dos dois lados se visitassem, disse que a fronteira já estava aberta. Em poucas horas uma multidão foi para o muro no centro de Berlim, no Portão de Brandemburgo, e os guardas sem saber o que fazer nem a quem telefonar (ainda não existiam celulares) deixaram a multidão passar, sem nenhum tiro.

Sem que as pessoas esperassem, o "muro da vergonha" caiu como pedra de dominó. Arrastou junto o sistema comunista, embaralhando o jogo de poder do mundo. Karleno viu tudo de perto. Sete anos depois voltou ao Brasil com um doutorado de outro país, a Alemanha capitalista e unificada. Sem querer, virou testemunha de uma das maiores transformações recentes. O então garoto de Brejo viu um capítulo se fechar e outro se abrir na história do mundo. E ele nem falava alemão nos primeiros dias...

Veja entrevista aqui.

Por: Maurício Moraes
Quarta-feira , 28 de Outubro de 2009
Néstor Kirchner 2011 - alguém duvidava?

Pois Kirchner, o Néstor, quer voltar à Presidência argentina. Na verdade, nunca deixou o poder, assim como nunca deixou Cristina, a Kirchner, e nem nunca saiu da Quinta de Olivos, a residência presidencial, onde vive desde 2003.

Olha só o cartaz: "Ahora Néstor Kichner 2011"

 

Depois de assumir o governo com uma Argentina destroçada pela crise de 2001, Kirchner fez o país crescer 9% (o que era ok para uma economia que havia encolhido, convenhamos). Fez muita politicagem com os sindicatos, brigou com o FMI, deu calote, mas deu conta instantaneamente da bagunça instalada. Nada mal para um provinciano da Patagônia que parecia haver conquistado Buenos Aires.

Ocorre que Kirchner, o Néstor, sofreu uma derrota humilhante nas eleições legislativas em junho deste ano. O ex-presidente fez a sucessora em 2007- a própria mulher Cristina Kirchner - algo inédito no mundo mas não supreendente por se tratar da Argentina (*).

Parece que desta vez, no entanto, Kirchner vai ter dificuldades para suceder-se a si mesmo no cargo (complexo isso, não? é que os vizinhos são meio estranhos mesmo..., vide o Maradona)

Outra coisa: Quem manda na casa dos Kichner, afinal? O marido ou a mulher?

Os analistas não menosprezam Cristina, tanto porque ela era senadora e uma primeira-dama extremamente influente. Por isso mesmo a imprensa argentina os chamal de Casal K, ou Casal Presidencial. Que casamento! Cama, mesa e despacho de governo.

Isso porque as eleições ainda são em 2011.... A gente se diverte até lá!

#LaNacion

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(*) Evita só não sucedeu Perón porque o câncer a matou antes, em 1952 - depois, na última presidência de Perón, foi ele quem morreu e deixou a esposa Isabelita na Casa Rosada, em 1974. Na Argentina, casamento político é negócio sério, como se vê.

Por: Maurício Moraes
Quinta-feira , 22 de Outubro de 2009
Reforma religiosa versão século 21 e gay
Nesta semana o Vaticano anunciou a maior reacomodação da Cristandade nos últimos 400 anos. Bento 16 abriu as portas da Igreja Católica aos "infiéis" anglicanos, na maior aproximação vista desde 1534, quando o rei inglês
Henrique 8 resolveu criar uma igreja só para si para que pudesse se divorciar e casar mais uma vez - algo proibido até hoje entre os católicos romanos.
 
Como se vê, o sexo, mais uma vez, move a Reforma Religiosa. A oferta do Vaticano para absorver os anglicanos (que vão poder manter seus costumes com a única diferença que seu chefe não será mais a rainha britânica e sim o papa) tem a ver com a crise que vive a Igreja da Inglaterra.
 
 
Os anglicanos estão divididos desde que o sacerdócio foi aberto às mulheres em 1994. Desde 2008, elas também podem ser bispas. Para horrorizar ainda mais os conservadores, a versão americana da Igreja passou a ordenar padres abertamente gays nos últimos tempos.
 
Segundo reportagem do Times, cerca de 400 mil anglicanos (algumas dioceses inteiras) devem se abrigar sob o guarda-chuva católico, onde mulheres e gays (ao menos oficialmente) não podem nem pensar em ser qualquer coisa importante na "Santa Madre Igreja".
 
E o "sexo" também está movendo uma Reforma dentro da Igreja Luterana, que nos Estados Unidos está se dividindo entre as comunidades que aceitam a ordenação de pastores abertamente gays e as que rechaçam a ideia, como mostra a Economist.
 
Na Suécia, a Igreja Luterana foi além: nesta quinta (22), os bispos protestantes aprovaram o casamento gay com benção religiosa, como mostra a France Presse. Obviamente, uma parte dos suecos se opõe à ideia. Só falta o Vaticano abrir também o guarda-chuva para os seguidores de Martinho Lutero, que iniciou a Reforma Protestante em 1517 justamente contra a hiprocrisia da Igreja de Roma. Sinais dos tempos...
Por: Maurício Moraes
Domingo , 11 de Outubro de 2009
David Cameron - Yes, he "cam"

"Yes, we cam". Foi usando emprestado o lema de Barack Obama que o tablóide londrino "The Sun" anunciou na última semana o apoio ao líder conservador David Cameron. O entusiasmo do jornal, que por anos apoiou os rivais trabalhistas de Tony Blair e Gordon Brown, é o mesmo de boa parte da população. Também é uma mostra de que só uma catastrofe vai impedir que Cameron se transforme no próximo primeiro-ministro britânico.

Depois dos tempos da "Cool Britain", os primeiros anos mágicos da gestão Blair, no fim da década de 90 e início da atual, o Reino Unido voltou ao limbo. Blair embarcou na Guerra ao Terror do americano George W. Bush e deixou a bomba a ser desarmada por seu sucessor, Brown. O atual primeiro-ministro até que tentou retomar o sucesso do partido Trabalhista, teve até algum protagonismo durante o baque da crise econômica no último ano, mas não conseguiu ganhar a empatia dos britânicos, que vivem tempos de dinheiro curto.

Brown é fechado, sistemático, sem nenhum carisma. Cameron, por outro lado, é jovem, bonito, pop e um dos responsáveis pela cara moderna dos conservadores. Vai pedalando às sessões do Parlamento, é ativista verde e passou a defender os direitos gays (antes era contra). E, o mais importante, parece ser o homem certo para colocar o Reino Unido novamente nos tempos bacanas da Cool Britain. Qualquer semelhança com o rival Tony Blair é mera coincidência? 

Ironicamente, ao eleger um conservador como próximo primeiro-ministro, os britânicos dão um sinal de que estão com saudades de um trabalhista - Blair... Eles não admitem, mas terão oportunidade para dar mais um voto de confiança ao ex-chefe de governo - Tony Blair é o candidato mais forte para se tornar o presidente da União Europeia, assim que o Tratado de Lisboa entrar em vigor. Isso se Cameron deixar... O líder dos conservadores é um dos principais opositores do conjunto de mudanças que vai deixar a União Europeia em estágio 2.0

Por: Maurício Moraes
Quinta-feira , 01 de Outubro de 2009
Secretária de saúde faz escândalo ao ser renegada pelo marido e demitida por ele, um governador argentino

A mulher aí sentada é Sandra Mendoza. Secretária da saúde da província do Chaco, no norte da Argentina, ela foi impedida pela segurança do governador Jorge Capitanich de entrar no palácio do governo. Na quarta (30), ela tomou parte num pequeno protesto em frente à administração provincial. Foi demitida sumariamente na quinta (1), dia em que o governador também pediu o divórcio de Sandra.

Sandra é uma aguerrida política do interior argentino. Brigona, atuava como um trator nas campanhas do marido. Polêmica, era considerada mal-educada e desequilibrada por alguns. Agora a ex-secretária de Saúde do Chaco é uma mulher que chora, que se diz prestes a entrar em greve de fome se o marido continuar impedindo sua entrada no governo. Ao eterno estilo argentino, está prestes a se imolar pelo que diz ser convicção política:

- Ninguém me dá explicações. O governador disse que ia me ligar para rever a situção, mas não ligou. É uma situação anormal. Ninguém é dono da Casa de Gobierno. Não fui notificada que fui demitida -, disse a agora ex-secretária e ex-mulher de Jorge Capitanich.

O melancólico e triste fim do casamento político e da união conjugal virou notícia nacional, isso porque o enredo que envolve Sandra e Capitanich já foi tema de crônica polícial no passado. Em fevereiro deste ano, Sandra entrou em alta velocidade com sua caminhonete no estacionamento do palácio, batendo em vários carros e se chocando contra um muro. O incidente aconteceu depois de uma discussão com o marido. Sandra diz que se Capitanich chegou aonde está, foi por sua causa. Veja o vídeo.

Há mulheres muito perigosas.

Por: Maurício Moraes